Liga Portuguesa: tugas vs. estrangeiros


Lembram-se daqueles jogos de All-Stars (muitas vezes reformados) entre os jogadores de determinado continente ou país ou liga contra “o resto do mundo”? Se houvesse um jogo entre os portugueses da Liga Portuguesa, contra o resto do mundo — ou os estrangeiros a jogar em Portugal — quem venceria?

Fomos olhar para os números na RealFevr. À partida, era difícil adivinhar. Se o melhor de todos foi um estrangeiro — o holandês Bas Dost — os três seguintes são portugueses: Pizzi, Nélson Semedo e Gelson Martins. Por isso, a única forma de ter certezas era construir o onze completo. Então vamos a isso.

Lembram-se quando se começou a falar de acolher refugiados em Portugal? Um dos slogans mais usados pelos nacionalistas e gente parva em geral era “primeiro os nossos”. Que se lixe. Vamos primeiro aos estrangeiros, os incríveis jogadores que escolheram evoluir as suas carreiras neste rectangulozinho na ponta ocidental da Europa.

Melhor onze de estrangeiros na Liga Portuguesa 16/17

Liga Portuguesa - Dream Team Estrangeiros

Primeiro, olhemos para as nacionalidades. Do Brasil, o país mais representado, há seis jogadores (um no banco). Seguem-se, empatados, a Espanha e a Argentina, com dois representantes cada. O resto são exemplares únicos: um holandês, um sueco e, já no banco de suplentes, um peruano, um venezuelano e um maliano.

Quando analisámos os melhores jogadores do ano, já tínhamos estes guarda-redes e estes defesas e os dois avançados titulares. As novidades são, por isso, poucas. Mas é todo um meio-campo!

De forma surpreendente, o melhor médio estrangeiro da Liga para a RealFevr foi Cauê. O trinco brasileiro do Moreirense marcou 2 golos e fez 1 assistência, em 32 jogos. Só teve 6 clean sheets, mas compensa isto com 249 bolas recuperadas e 65 desarmes ganhos.

Os companheiros de meio-campo, nesta Dream Team, são ambos argentinos. Salvio, do Benfica, e Battaglia, que fez a primeira metade da época no Chaves e depois regressou ao Braga, que o tinha emprestado. Curioso é que todos os médios deste onze estão pelo menos 100 pontos abaixo do mais pontuado: Bas Dost.

No banco de suplentes, os dois médios são Jhon Murillo, do Tondela (emprestado pelo Benfica) e Paolo Hurtado, do Vitória de Guimarães. Como podem ver pelos pontos, o meio-campo é, claramente, o ponto mais fraco desta Dream Team de estrangeiros.

Melhor onze de portugueses na Liga Portuguesa 16/17

Liga Portuguesa - Dream Team Portugueses

Éder, com o seu pontapé glorioso na final do Europeu, fez-nos esquecer um pouco a crise de pontas-de-lança portugueses. Mas a verdade é que esse facto parece ainda ser verdadeiro. É a primeira coisa que salta à vista neste onze: o solitário André Silva, a grande esperança da espécie em vias de extinção que é o avançado português.

Em termos de representação clubística, no onze há dois jogadores de Benfica, Sporting e Rio Ave. Mas se incluirmos os do banco, quem tem mais é o Braga, com três. Se no onze de estrangeiros havia maior predominância dos grandes (o Porto com 5 jogadores), aqui há mais clubes fora desse espectro e mais variedade, com 8 clubes representados. Se incluirmos os suplentes, contudo, a equipa de estrangeiros tem mais 9 clubes representados.

Pizzi, Nélson Semedo e Gelson são os MVPs desta equipa, seguidos de perto por Rafa Soares, Gil Dias e André Silva. O meio-campo completa-se com Iuri Medeiros, do Boavista (emprestado pelo Sporting) e William Carvalho, dos leões. Na defesa, além de Semedo e Rafa (outro emprestado: pelo Porto ao Rio Ave), há Nuno Pinto do Vitória de Setúbal e Nélson Lenho do Chaves. A baliza é do bracarense Marafona.

No banco, o guarda-redes é Bruno Varela, do Vitória de Setúbal. Talocha, do Boavista, é o defesa. Os dois avançados são ambos do Braga: Rui Fonte e Ricardo Horta.

Conclusões

Como dissemos, o meio-campo é a posição mais frágil na Dream Team de estrangeiros. Na portuguesa, são os avançados quem apresenta as pontuações mais fracas, apesar do registo bom de André Silva.

Quem ganha, afinal, neste duelo? Não te vou obrigar a fazeres as contas. Faz a tua aposta agora, antes de leres a resposta.

Primeiro, se contabilizarmos só os onze titulares, a diferença é de apenas 81 pontos. E o vencedor é (rufar de tambores…): O onze de estrangeiros! Bas Dost e os defesas do Porto e Benfica são fundamentais para este desfecho. Se alargarmos a conta aos suplentes, a derrota aumenta de volume, com uma diferença de 120 pontos.

Os top 20 de estrangeiros e portugueses

Como já tinha feito no post dos melhores da Liga, também fui buscar o Top 20 para portugueses e estrangeiros. Aqui vão os portugueses, agora em primeiro lugar:


A crise de pontas-de-lança é real: no Top 20 só há um avançado, o André Silva. Isto quer dizer que eu tive de ir lá mais para o fundo da lista, para encontrar aqueles dois bracarenses que entraram no banco da Dream Team.

Há quatro guarda-redes, seis defesas e, na posição onde os portugueses dominam, nove médios (quase metade da lista!). Por clubes, temos muita difisão. Sporting, Porto, Rio Ave e Boavista têm 3 representantes cada um. O Benfica e o Vitória de Setúbal têm dois jogadores cada e os restantes clubes têm apenas um: Vitória de Guimarães, Tondela, Chaves e Braga.

E agora o top dos estrangeiros:

Liga Portuguesa - Top 20 estrangeiros

Como já tínhamos visto, os médios são a posição mais fraca, com apenas dois representantes. E são os dois últimos da lista! A posição mais representada é a dos defesas, com 9. Tal como nos portugueses, há 4 guarda-redes, mas os avançados são bem mais: 5.

A dispersão de clubes é bem menor neste top de estrangeiros. Metade da lista é do Benfica ou do Porto (5 jogadores de cada). O Marítimo surge a seguir, com 3 representantes. Com 2, temos o Sporting e o Vitória de Guimarães. Rio Ave, Braga e Paços de Ferreira têm um jogador cada.

E se houvesse um jogo entre estes dois Top 20, quem ganhava era novamente o lado do estrangeiros. Estes 20 jogadores totalizam 2946 pontos, enquanto que os portugueses se ficam pelos 2740.

E pronto. Creio que não seja uma grande surpresa a superioridade dos estrangeiros. Mas surpreendente, talvez, seja o facto de os portugueses não estarem assim tão longe. De facto, o Top 5 tem três portugueses. Mas se formos para o Top 10, continuam a ser só aqueles três.

Veremos como será na próxima época, com as prováveis saídas de alguns dos melhores portugueses. Cá estaremos para fazer o comparativo.

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