
Houve festa de alívio e lágrimas de desilusão. Estava em jogo a manutenção na Primeira Liga e os candidatos à descida eram três: Arouca, Moreirense e Tondela. Pelo sexto lugar, de acesso à Liga Europa, lutavam Marítimo e Rio Ave. Mas toda a emoção da jornada esteve nos aflitos. Por isso, fica a história para o fim. Primeiro, vamos aos jogos que já não interessavam para nada.
Os jogos onde já não se decidia nada
NACIONAL 1–2 V. SETÚBAL
Foi a vigésima primeira derrota do Nacional. A época horrível dos insulares acabou da mesma forma como começou, e como decorreu quase sempre, com uma derrota. Na primeira parte do jogo, só deu Vitória. Os sadinos controlavam o jogo e foram criando várias ocasiões de golo, com Edinho e João Amaral em evidência. A finalização é que falhava. O segundo tempo foi mais desinteressante. As poucas ocasiões que houve deram mesmo em golo. Primeiro o Vitória, com Edinho a marcar à segunda, num lance hilariante aos 74 minutos. Depois houve penálti para o Nacional e Zequinha converteu em golo, aos 88. Dois minutos depois, Zé Manuel só teve de encostar, após assistência de cabeça de Nuno Santos. O Vitória acaba com um triunfo depois de seis jornadas sem vencer.
V. GUIMARÃES 0–1 FEIRENSE
Depois da excelente ponta final de campeonato, o Vitória de Guimarães acabou por encerrar o campeonato com duas derrotas. A pensar já na final da Taça, os vimaranenses apresentaram um onze com muitas mexidas. No Feirense também houve algumas novidades no onze e o jogo acabou por ser equilibrado e dividido, sem ser brilhante. Os guarda-redes foram mostrando serviço e mantendo o nulo. Só aos 69 minutos apareceu o primeiro e único golo do jogo, com Tchuameni a encostar após um bom trabalho de Luís Machado. O Feirense termina a época com um fantástico registo de 48 pontos e fecha a Liga com quatro vitórias consecutivas.
BOAVISTA 2–2 BENFICA
Para o jogo de consagração, Rui Vitória fez o que se esperava e deu oportunidade a jogadores ainda não utilizados. No onze apareceram Pedro Pereira, Kalaica e Hermes, mas ainda houve titularidade para André Horta, Lisandro ou Filipe Augusto. O Boavista foi a melhor equipa na primeira parte e chegou à vantagem com um golo de Renato Santos. No segundo tempo, o Benfica entrou melhor, mas o Boavista aumentou a vantagem, aos 52’, por Schembri, com assistência de Iuri, que voltou a estar muito bem contra o Benfica. A resposta dos encarnados começou a desenhar-se ao minuto 71, quando Rafa fez uma arrancada e assistiu Mitroglou. O golo do empate surgiu no minuto 90, num canto de Zivkovic que Kalaica cabeceou para golo. Estreia de sonho para o jovem central croata.
SPORTING 4–1 CHAVES
O Sporting goleou no último jogo da época, com mais um hat-trick de Bas Dost, em que dois dos golos foram de penálti. O primeiro do holandês foi logo aos 11 minutos, de penálti. Depois ampliou a vantagem de cabeça, após canto de Matheus Pereira, ao minuto 15. À passagem da meia-hora, foi Matheus Pereira a marcar, encerrando a primeira parte demolidora dos leões. Depois do descanso, o Chaves reduziu por William, ao minuto 60. O resultado final só se fez já nos descontos, com novo penálti para o holandês, que assim acaba como melhor marcador da Liga. Um prémio de compensação para a má temporada dos leões, que também se podem gabar de ser a equipa que beneficiou de mais penáltis.
O sexto lugar e o acesso à Liga Europa
PAÇOS DE FERREIRA 0–0 MARÍTIMO
Bastava o empate ao Marítimo, para garantir o lugar de acesso à Liga Europa. E foi isso mesmo que os maritimistas fizeram, na deslocação à capital do móvel. Mas o Paços tentou estragar a festa. A equipa da casa foi sempre a mais perigosa e em várias ocasiões ameaçou a baliza de Charles Marcelo. No outro jogo, o Rio Ave ia vencendo e o Marítimo sabia que sofrer um golo seria o fim. Os sobressaltos iam surgindo, mas as redes mantinham-se invioladas. No final, a festa foi mesmo os verde-rubros.
RIO AVE 2–0 BELENENSES
No outro jogo desta luta, o Rio Ave fez o que lhe competia, vencendo o Belenenses. Os vila-condenses adiantaram-se no marcador logo aos 7 minutos, com um cabeceamento indefensável de Hélder Guedes, após cruzamento de Lionn. Aos 18, Rúben Ribeiro iam aumentando depois de combinar com Guedes, mas o remate foi à barra. Aos 31’, foi a vez de o Belenenses ameaçar, com Maurides a acertar também na barra. A segunda parte foi mais calma, mas deu para o Rio Ave ampliar a vantagem, num belo golo de Gil Dias, aos 85. Faltou a ajuda do Paços para chegar à Europa. Ainda assim, é uma época positiva para o Rio Ave.
A luta pela manutenção
ESTORIL 4–2 AROUCA; MOREIRENSE 3–1 PORTO; TONDELA 2–0 BRAGA
Foi o momento mais emocionante da última jornada. Às 18h de Domingo, entraram em campo Arouca, Moreirense e Tondela. Os três candidatos à descida jogaram com o Estoril, o Porto e o Braga, respectivamente. O Arouca foi ao Estoril com 2 pontos de vantagem para o Moreirense e 3 para o Tondela. Era, em teoria, quem tinha a tarefa mais fácil. Mesmo em caso de derrota, precisava de perder por dois e que o Tondela ganhasse por dois (ou outras conjugações que dessem +4 ao Tondela na diferença de golos face ao Arouca).
Foi logo no primeiro minuto de jogo que Adilson Goiano adiantou o Arouca no marcador. A festa, contudo, durou só cinco minutos, porque André Claro empatou de penálti aos 6. Aos 16’, em Moreira de Cónegos, Boateng adiantava o Moreirense frente ao Porto. Mas o jogo frenético era mesmo no Estoril. Aos 19 minutos, Carlinhos fez a reviravolta, adiantando o Esotirl. E à meia-hora, Bruno Gomes adiantou para 3–1. A vida do Arouca parecia complicar-se, mas no minuto seguinte Adilson Goiano bisou, colocando o resultado em 3–2.
Ainda nada estava perdido, porque o Tondela continuava a zeros. Aos 37 minutos, Fred Maciel fez golo para o Moreirense, que assim passava a vencer por 2–0 o Porto. Três minutos depois, más notícias para o Arouca, com o vermelho directo a Hugo Basto. E no minuto seguinte, Heliardo faz o primeiro do Tondela na recepção ao Braga. Foi aqui que se começou a desenhar a tragédia: o Moreirense a vencer, o Tondela a vencer e o Arouca a perder e a jogar com dez. Mas quando os jogos foram para intervalo, ainda era o Tondela que descia.
As segundas partes foram menos frenéticas, mas o primeiro facto de nota foi o segundo golo do Tondela, por Kaká, aos 64 minutos. O Arouca começava a tremer porque se o Tondela marcasse mais um, ou o Arouca sofresse outro, caíam para a Segunda Liga. Aos 66’, Maxi marca para o Porto e dá esperança. Se o Porto empatasse, era o Moreirense que descia. Mas aos 76 minutos, Gustavo Tocantins fez o quarto golo do Estoril. Os canarinhos foram impiedosos e atiraram mesmo o Arouca para o lugar de descida. Pouco depois, aos 83, novo golo do Moreirense, por Alex, que deitava por terra a descida do Moreirense.
Os últimos minutos foram de muitos nervos. O Moreirense estava tranquilo com a vantagem de 2 golos sobre o Porto, mas Arouca e Tondela estavam no equilíbrio dos golos. Bastava um golo do Braga frente ao Tondela ou um golo do Arouca frente ao Estoril, para que fosse o Tondela a descer. Mas Pepa conseguiu mesmo repetir o milagre de Tondela que Petit fez na época passada. Com a conjugação de resultados (Estoril 4–2 Arouca; Moreirense 3–1 Porto; e Tondela 2–0 Braga), era mesmo o Arouca a descer!