Primeiro balanço da Liga Portuguesa

A longa paragem para jogos da Selecção Nacional e, no próximo fim-de-semana, Taça de Portugal, afigura-se-nos como uma oportunidade para fazer o primeiro balanço da Liga Portuguesa. É certo que ainda nem um quinto do campeonato foi jogado, foram apenas 7 jornadas, 7 jogos para cada equipa. No entanto, já temos matéria para uma breve análise. Vamos por partes.

Os candidatos
Porto: Com um novo treinador e alguns reforços — os dois últimos a chegar, apostamos, vão ser os mais importantes: Óliver e Diogo Jota — o Porto precisa urgentemente de voltar aos títulos. Os dragões já perderam em Alvalade, mas o verdadeiro tropeço foi o empate em Tondela. A equipa de Nuno Espírito Santo ainda não deslumbrou, mas fez o suficiente para estar em igualdade pontual com os leões. As expectativas dos azuis e brancos, ajustadas à nova dura realidade, são de não estar afastado da luta a 10 jornadas do fim.

Sporting: Depois de perder João Mário e Slimani, o Sporting investiu em reforços importantes (e em Markovic, por pirraça). Mantém o auto-proclamado melhor treinador do mundo e tem Gelson Martins num momento de forma incrível. Nada disto, contudo, impediu uma derrota contundente em Vila de Conde e um empate em Guimarães, desperdiçando uma vantagem de 3–0. Tropeções estranhos de uma equipa que continua a praticar bom futebol e deverá estar na luta pelo título até ao fim.

Benfica: O Benfica perdeu Gaitán e Renato Sanches no mercado e teve / tem meia equipa lesionada, entre eles o melhor marcador do ano passado, Jonas (e todos os outros avançados), e o reforço mais sonante, Rafa. A equipa continua a jogar meio emperrada — empatou em casa com o Vitória de Setúbal –, tem demasiados jovens inexperientes e um treinador sem estaleca para o banco encarnado. Não é de espantar que, com tanta infelicidade, o Benfica ocupe neste momento o primeiro lugar. Esperem lá… Esta sequência não foi muito lógica, pois não? Mas é isto: o Benfica é líder isolado, com mais 3 pontos que Porto e Sporting, e mais 5 que o Braga.

As surpresas
As duas equipas promovidas: Chaves e Feirense, as duas equipas que subiram este ano à principal Liga Portuguesa, estão a fazer um bom início de campeonato. No caso do Chaves, aliás, bom é eufemismo. A equipa flaviense ocupa neste momento um fantástico 5º lugar europeu, com 12 pontos, apenas a 2 do Braga. A equipa transmontana, orientada por Jorge Simão, só perdeu um jogo ainda, com o Benfica. Quanto ao Feirense, soma 9 pontos. É verdade que já perderam 4 jogos, mas a equipa de José Mota parece ter apreendido algo que escapa a muitas outras equipas: 3 vitórias é melhor do que 7 empates.

Nuno Capucho: Aquilo que o Rio Ave fez ao Sporting espantou muita gente. Se olharmos só para a classificação, ainda mais estranho parece: o Rio Ave tem 3 vitórias, 1 empate e 3 derrotas — um registo normal para os vila-condenses. Mas quem vê a equipa de Nuno Capucho (na sua primeira experiência no principal escalão) a jogar, percebe logo. É refrescante ver uma equipa de meio da tabela (da metade de cima, vá) a tentar jogar um futebol tão atractivo e atacante. É verdade que já levam 3 derrotas mas, acreditem ou não, excepção feita à derrota frente ao Porto, o Rio Ave foi sempre a melhor equipa e a que criou mais oportunidades. Com eficácia de golo, este Rio Ave pode ser um caso sério.

As desilusões
Arouca: Depois do 5º lugar da época passada, vimos o Arouca eliminar os holandeses do Heracles, na 3ª Pré-Eliminatória da Liga Europa. A seguir, no play-off, veio o Olympiacos e quase vimos o Arouca fazer mais uma gracinha. Ficaram de fora da Europa, mas caíram com classe. Parecia um excelente preâmbulo para mais uma época de grande classe na Liga Portuguesa, o que só torna maior a desilusão. O arranque do Arouca está muito aquém do esperado, com apenas uma vitória e dois empates. A equipa de Lito Vidigal está um lugar apenas acima da linha de água, mas em igualdade pontual com o penúltimo e só um ponto à frente do último.

Nacional: Já houve três chicotadas psicológicas na Liga, mas o facto de estar na quinta época consecutiva (e 8ª de sempre) ao leme do Nacional torna Manuel Machado menos susceptível a despedimentos impulsivos. E, no entanto, quando houve a primeira chicotada, era o Nacional quem tinha um registo só de derrotas. Os insulares perderam nas 5 primeiras jornadas, num arranque pior do que qualquer pesadelo. Desde então, ganharam as últimas duas partidas, mas continuam a partilhar com o último, Tondela, o troféu de equipa com mais derrotas à 7ª jornada.

Os melhores reforços
Welthon: 99% dos brasileiros no mundo não sabem quem é Welthon (fizemos um inquérito, com uma amostra de 100.000 pessoas, mas perdi o relatório, se não até colocava aqui). Nós também não sabíamos. Mas alguém no Paços de Ferreira sabia. Desde quando, não sabemos, mas foram buscá-lo ao Brasil com resultados muito interessantes. Com um estilo que faz lembrar um Hulk (o brasileiro, não o verde) sem esteróides, este avançado já leva 3 golos e outras tantas assistências. Ou seja, está directamente envolvido em mais de metade dos golos do Paços.

Bas Dost: O holandês que veio para fazer esquecer Slimani está a ter um início auspicioso. De tal forma que os adeptos já lhe dedicaram um cântico. Em 4 jogos pelos leões, Dost marcou 4 golos. Se somarmos o outro que marcou na Champions, já leva metade dos golos que fez pelo Wolfsburg em toda a época passada. O primeiro golo que marcou ao Estoril é de grande ponta-de-lança e devia valer-lhe a alcunha de holandês voador. Infelizmente, Van Persie já se apoderou desse epíteto há uns anos.

Moussa Marega: Os outros dois estão aqui para disfarçar. O melhor reforço da época é só um: Moussa Marega. O maliano emprestado pelo Porto ao Vitória de Guimarães leva 7 golos em 7 jornadas. O resto é conversa.

Os flops
PC Gusmão: O treinador brasileiro que o Marítimo contratou para atacar esta época aguentou 5 jornadas, nas quais ganhou um jogo e perdeu quatro. Mais um triste exemplo das dificuldades que os treinadores brasileiros sentem quando chegam à Europa. Entretanto, nas duas jornadas seguintes ao seu despedimento (e à contratação de Daniel Ramos para o lugar), o Marítimo venceu.

Laurent Depoitre: Começou logo com a revelação de que não podia jogar na Champions. Devíamos ter desconfiado logo aí que nada de bom viria deste belga. Na verdade, já desconfiávamos antes, quando olhámos para os seus números no Gent, onde nunca marcou mais de 16 golos numa época. Era esta a figura em que o Porto apostava, depois dos flops Marega (riam-se agora!), Osvaldo e Aboubakar? Felizmente existe André Silva.

Luc Castaignos: Quem?

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